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DIFERENÇAS ENTRE A BÍBLIA CATÓLICA E A PROTESTANTE
Qui, 09 de Julho de 2009 19:48
A Bíblia protestante não tem os seguintes livros: Tobias, Judite, algumas partes de Daniel e Ester, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Carta de Jeremias e os dois livros dos Macabeus. Esta diferença vem de longe e tem uma longa história:

O COMEÇO DA HISTÓRIA:

300 ou 400 anos antes do nascimento de Jesus, houve muita imigração e, mistura  de idiomas. Predominava o hebraico, o grego e o aramaico. Tentou-se adaptar a Bíblia aos idiomas existentes. Dessa mistura de povos e idiomas, resultaram duas Bíblias: uma em língua hebraica para os judeus da Palestina, e outra em língua grega para os judeus que viviam fora da Palestina, lá no Egito.
O tempo foi passando. Os judeus que moravam no Egito foram escrevendo mais alguns livros em grego, e a Bíblia deles ficou maior. Então os judeus da Palestina quiseram confrontar as duas Bíblias, e fizeram uma lista dos livros que para eles eram inspirados,sagrados. Deixaram fora da lista os livros que os judeus do Egito tinham escrito a mais
em grego.
Quando o pessoal do Egito soube disso, não ligou muito, e continuou deixando sua lista aberta. Assim, na Bíblia grega dos judeus, foram acrescentados sete livros: Eclesiástico, Sabedoria, os dois livros dos Macabeus, Tobias, Judite e Baruc. Além disso, uns trechos de Daniel e Ester e uma Carta de Jeremias.
Sendo assim, a Bíblia deles ficou sendo mais comprida. Como podemos notar, a Bíblia dos protestantes segue a lista da Bíblia Hebraica dos judeus da Palestina; a Bíblia dos católicos segue a lista da Bíblia Grega dos judeus do Egito. Esta Bíblia Grega se espalhou pelo mundo daquele tempo, pois a língua do mundo era o grego.

O MEIO DA HISTÓRIA:

Os primeiros cristãos, como já vimos, eram de Jerusalém, e portanto usavam a Bíblia em língua hebraica, aquela mais curta. Mas quando vieram as perseguições, os cristãos começaram a se espalhar para outros países, onde a língua falada era o grego. Eles passaram então a usar a Bíblia escrita em língua grega.
Os judeus da Palestina, para se defender dos cristãos, começaram a dizer: "Tá vendo! A Bíblia deles está errada. Tem livros demais." Aí fizeram uma reunião no ano 97, e disseram: "Para nós a Sagrada Escritura é esta aqui, a lista pequena". Mais uma vez, os cristãos não ligaram muito e ficaram com a lista mais comprida, que eles consideravam toda Palavra de Deus, inspirada por Ele.
Por volta do ano 400 o Papa Dâmaso pede ao biblista São Jerônimo, que traduza a Bíblia para o latim, pois naquele tempo não se falava mais nem o hebraico e nem o grego, mas o latim. Precisava de alguém que fizesse uma nova tradução, para que todo mundo pudesse entender. Jerônimo concordou e começou a trabalhar.
Havia porém um problema. Jerônimo não conhecia o hebraico. Procurou um velho rabino judeu de Belém, para ter aula com ele. Devido às aulas, os dois acabaram ficando muito amigos. Trocavam idéias sobre a Bíblia, até que Jerônimo ficou influenciado pelo rabino e começou a pensar que a verdadeira Bíblia era aquela mais curta, aquela dos judeus.
Jerônimo, porém, sabia que a Igreja não pensava como ele. Por isso traduziu tudo, mas disse que os sete livros que não estavam na Bíblia hebraica eram "deuterocanônicos". "Dêutero" que dizer segundo; "canon" significa lista ou categoria. São livros da segunda lista, de segunda categoria.

O FIM DA HISTÓRIA:

A opinião de Jerônimo tinha muito peso na Igreja. Antes ninguém tinha dúvidas, mas depois que Jerônimo veio com esta de "deuterocanônicos", a discussão voltou a ser forte e a briga continuou por muitos e muitos anos. Com o passar dos séculos, o negócio foi ficando tão sério que os bispos resolveram pronunciar-se oficialmente. Fizeram isto numa Carta escrita durante o Concílio Ecumênico de Florença, no ano de 1430. Nesta Carta diziam que para a Igreja Católica faziam parte da Sagrada Escritura todos os Livros da lista comprida.

Tudo parecia estar em paz, quando o assunto voltou à tona por causa de Lutero. Tendo deixado, por protesto, a Igreja Católica, Lutero tinha começado a Igreja Protestante. A primeira preocupação dele foi traduzir a Bíblia do latim para o alemão. Este foi um trabalho muito bom porque, como Lutero dizia: "O povo tem que poder ler a Bíblia, com sua cabeça e com seus olhos."
A Bíblia que Lutero traduziu, porém, foi a Bíblia pequena, aquela dos Hebreus. Com ela
reabriu-se a discussão dentro da Igreja. Então, no Concílio de Trento, os Bispos definiram a coisa e, encerraram a discussão: "A Bíblia que a Igreja Católica aceita como inspirada por Deus é aquela comprida."
Os católicos ficaram com a Bíblia comprida e os protestantes com a curta, como Lutero tinha traduzido. E esta diferença existe ainda hoje. Já existem Bíblias protestantes que trazem os outros Livros, porque muitos deles sabem que são Livros antiqüíssimos e de grande valor. (Fonte: Pe. Lucas)

As diferenças hoje em dia

A Bíblia católica tem 73 livros; a protestante, 66.
A Bíblia católica deve ter o “imprimatur”, quer dizer “pode ser impressa”.
A Bíblia católica deve ter explicações de passagens mais difíceis, no rodapé das páginas.